Aglaure - Gall Marttins - Paraibana, fisioterapeuta especialista em neuropediatria e uma apaixonada pela arte. Escrevo desde a adolescência, mas só há dois anos resolvi aventurar-me e mostrar os meus rabiscos.
Minha fonte de inspiração é o momento, é aquilo que sinto, é aquilo que capto do mundo, do outro, é a paixão que vivo, é o amor que recebo diariamente e alimenta meu viver, é essa dor na alma que brinca de esconde-esconde comigo, é tudo que tem forma, é tudo que é disforme, o que enxergo, o que oculto... Enfim...Tudo pode vir a ser uma fonte de inspiração.
Geralmente minha poesia é livre de regras, técnicas ou qualquer amarras. Costumo dizer que sou ser alado e assim terminei ficando conhecida no mundo virtual. Sou uma aprendiz da poesia e da vida, por ser extremamente curiosa e inquieta, procurei estudar (sou autodidata) algumas técnicas para poder desenvolver outras formas de escritas.
Tenho grande identificação com a poesia concreta a qual chamo de poesia lúdica, pois me oportuniza criar brincando. Por pura ousadia editei meu primeiro livro de poesias em 2008, titulado REVELAÇÕES, uma produção independente, minha grande realização pessoal, meu primogênito. A minha família é meu abrigo, meu porto seguro.
Sou ave a voar no céu,
Sou estrela,
Sou entrelinhas,
Sou rabiscos num papel.
Sou rascunho de poeta,
Sou loucura, lucidez,
Sou às vezes solidão.
Sou minha verdade,
Sou minha mentira,
Sou menina,
Sou mulher,
Sou apenas ilusão.
Sou ave estrela em rabiscos,
Sou menina mulher,
Louca poeta.
Aglaure Corrêa Martins
SER ALADO
Asas eu tenho
Azar o teu que não tem
Alço o meu vôo
Volto e meia V
....................O
..................L
................T
.............O
Dou voltas
S
O
B
R
EVÔO
Alto vou
.....................R
...............O........O
..............I............D
................P.......O
Aglaure Corrêa Martins
ALPINISTA
Enfrentei o vento do Norte,
eu resisti as tempestades.
Desafiei a própria sorte
e mostrei minhas verdades.
Da vaidade me despi,
nua e só eu caminhei,
novos caminhos abri,
outros montes escalei.
O raio de sol foi mi’a lança,
a lua cheia meu escudo,
o EU guerreiro não cansa,
eu reconquistei meu mundo.
Em fértil solo, cresci.
Resisti ao solo árido.
Da murcha flor renasci,
esqueci todo passado.
Eu sigo avante, não temo.
O Senhor Deus é o meu guia.
Meu barco flutua sem remo,
Ele abençoa o novo dia.
Aglaure Corrêa Martins
TUA PELE, MEU AGASALHO
Na imensidão do espaço,
o vácuo...
Sou grão a vaguear.
Leito vazio, sinto frio,
dar-me a tua pele...
Vem me agasalhar.
Luto para dissipar o cansaço,
vivo a te esperar...
Sou grão no espaço,
no vazio sinto frio.
Onde encontrar tua pele?
Desejo no meu leito
tua pele... Meu agasalho.
Aglaure Corrêa Martins
ARLEQUIM MORIBUNDO
Nessa roupa colorida,
nessa boca exagerada,
dessa vida corroída,
surge a face mascarada.
No picadeiro gigante
desse palco iluminado,
atua nele um ser vagante
vida em colcha de retalhos.
Entre cores, sons e formas,
luzes, saltos, gargalhadas,
entre laços, nós e normas,
há figuras desbotadas.
Entre trapos e farrapos,
escolher o certo ou o errado,
cessam discursos fanados,
seca o oásis do deserto.
Olhos cegos do arlequim
que tem brilho disfarçado,
chora fel em tom carmim,
não escondendo o cansaço.
Foi negado seu alimento,
lábios cerrados, mordaça.
A dignidade... Apresaram,
alegria é pura farsa.
Aglaure Corrêa Martins
LIBERDADE... MINHA PRISÃO
Da liberdade sou prisioneira.
O corpo é escravo, alforra a mente.
Opostos, realidade verdadeira,
A mi’alma canta versos livremente.
Rodopio, bailo ao som do vento, sim.
Sou alada, livre traço o meu destino.
Rabisco poesias livres sem por fim,
Ser livre e prisioneira é meu tino.
Amo, sou amada, mas sou uma ave livre.
Desse amor prisioneira sou total.
Tenho meu coração preso, é real,
Mas, desacorrentada a alma é livre.
Nado ondas virtuais, nelas mergulho.
Liberdade é meu lema e me orgulho.
Aglaure Corrêa Martins
COLORINDO E DESCOLORINDO
Amei em segredo, já não mais segredo,
arranco do peito um fio de dor
e fito a cor agora apagada
rasuradas em linhas, escritas de amor.
Desenho inverso proposto no verso
julgado na ótica do observador,
ensaio as letras, rabiscos pernetas,
danças latentes, na alma o clamor.
Separo com vírgulas o texto sagrado,
uso reticências... Completo o espaço.
Vazio... Dissimulado... Segregado...
Escuto agora o riso insano
da noite passada,
do adeus ao encanto,
da chuva de prata...
A boca se cala, o olho se fecha,
a lágrima não fala...
Quebrada a flecha
sentimento em retirada,
a luz não trespassa a fresta,
procura outra morada...
Aglaure Corrêa Martins
LINHAS
Nas palmas das minhas mãos
há um emaranhado de linhas.
Há desenhos subjetivos,
destino imprevisível
lido por quiromantes.
As minhas mãos são ferramentas,
são nelas que empunho a pena,
que toco, que sinto o tato,
que acaricio, que também afasto,
são meus instrumentos de labuta.
Olho para as linhas não as decifro,
não tem pregas simiescas,
parecem ser tão perfeitas,
mãos não sindrômicas,
mas mesmo assim eu duvido...
Que mãos são perfeição?
Que síndrome é crítica condição?
Quem pode revelar os traçados das mãos?
Aglaure Corrêa Martins
XADREZ – VIDA
Também sou uma peça desse jogo,
em mais de trinta e duas figuras eu me visto.
São valores muitas vezes esculpidos
em jogadas quase sempre desvalorizadas.
Nem sempre a dama é a cartada,
o peão pode ser o principal.
Regras seguidas, astúcia ativada,
quem vencerá o jogo afinal?
No tabuleiro da vida-xadrez,
há mais de sessenta e quatro casas,
há uma infinidade de estradas,
a figura principal não é o rei.
Aglaure Corrêa Martins
RELICÁRIO
És pintura, relicário,
belo quadro emoldurado,
escultura, bela arte,
és espectro raro, dourado.
Notas sustenidas,
timbre , tom fundamental,
coeterno sentimento,
és o azul celestial.
A palavra manuscrita,
luz que guia, firmitude,
aroma inebriante,
canto, encanto, plenitude.
Aglaure Corrêa Martins
FLAGELO
Garras frias, corpo inerte,
alma simplória, agonia.
veneno que vaza dos poros,
Palavra...Toda sangria.
Poesias dilaceradas,
campos sem florescer,
olhos insones, alma sentida,
pecado ao anoitecer.
Vazio...Imensidão,
lágrima sem se conter.
Silêncio...Escuridão,
ignorância do entender.
Grita ao mundo a sua dor,
grita ao mundo indignação,
grita muda a confidência,
grita muda a solidão.
Aglaure Corrêa Martins
[VER]DADES D[O] S[EU] MUNDO
É nascida em Vênus,
habita o planeta Azul A[lado],
o coração mora em Mar[te],
a vida é colcha de retalhos.
É fr[ação] p[ela] metade,
faísca do pó [so]prado,
carrega todas as idades,
coração que marca[passo].
[Cor]re presa no fio
no espaço i[limitado],
caça a fera a[dor]mecida,
mergulha no lago congelado.
Pesca o nó da v[ida],
a sina des[ata],
usa pa[lavras] coloridas,
Insana[mente] a mente, des[brava].
Aglaure Corrêa Martins
DONA DA MI’A VONTADE
De pés descalços,
transito leve de culpa,
já rasguei o véu da vergonha,
despi palavras, todo falso pudor,
escrevi a poesia nua.
Redigi o sentimento
sem máscaras, sem maquiagem,
exprimi o suspiro oculto,
revelei o segredo obscuro,
representei o pseudo pecado.
De mãos vazias da utopia
manifesto mi’a vontade.
Sou garça da fantasia,
ser carmim verso-poesia,
sou a dona da mi’a verdade.
Aglaure Corrêa Martins
FRAGATA
Nesse mundo de verdades dolorosas,
nesses dias de sofrimento e solidão,
resistência é a palavra, as armas são rosas,
superando a forma primitiva da emoção.
Os sonhos são caminhos mutilados
nas asas de um voo subjetivo,
prosseguir é desejo volitivo,
vencer é meta, aspiração.
A falua é impelida sem receio,
mastros erguidos, velas içadas.
Veloz desbrava as ondas, a fragata.
Aglaure Corrêa Martins
FURTO
Furta a cor da luz projetada,
ladra de garras afiadas.
Arrebatamento furta-cor,
emoção inanimada
In anima nobili.
Burca obrigatória dos sentimentos.
Ladra que injeta veneno
estimula o uso de broquel,
exila a liberdade do eu corcel.
Cores do arco-íris sentenciadas.
Vida larapia.
Aglaure Corrêa Martins
INCONGRUENTES VERSOS
A versificação é diversificada,
rítmica incongruente,
verso expressão cadenciada,
verso reverso incon(veniente).
Verso livre debochado
ri do metrificado verso.
Verso branco voa solto,
insulta o verso sáfico preso.
Lá vem o verso de pé quebrado
rogando indiferença.
Já o verso de seis pés,
faz questão de ser presença.
O verso acéfalo implora
a companhia do verso agudo,
o verso cataléctico ouve,
discretamente incompleto, fica mudo.
O verso heróico
faz decassílabo discurso,
o verso silábico
de par em par refaz o curso.
Versos ropálico cresce
a cada novo verso,
verso palíndromo é consentido,
sua incongruência...
Faz sentido.
Aglaure Corrêa Martins
PÁSSARO DE MIM
Na revoada, me dispersei...
Senti-me perdida, pássaro de mim.
Voei sem rumo,
sobrevoei todo o horizonte.
Em teu canto pousei.
Enfim...
Canto poético ouvi,
conto poético vivi,
encanto poético encontrei.
Aglaure Corrêa Martins
PALAVRAÇÃO
Sopros adocicados,
carícia que a boca oferta,
língua vernácula sedutora,
promessa verbal discreta.
Alocução casta, pura,
forma livre de expressão,
pontua com ênfase a estrutura,
envolve, preenche, desnuda,
faz-se ponto de interrogação.
Sons lacônicos amargos,
pancada que a boca oferta,
língua maligna presunçosa
agressão verbal libera.
Peça oratória leviana,
palavreado vão,
agride, acorrenta, insulta,
exclamação peremptória,
linguística sem compaixão.
Aglaure Corrêa Martins
MISÉRIA HUMANA
Fétida democracia,
coronelismo reinante,
ergástulo erosivo,
cerco frio mutante.
Esbulha o direto humano,
saqueia a dignidade,
instila a gota letal,
envenena a moralidade.
Esmurra o cotidiano,
logra a expressão,
libertinagem desregrada
filha da corrupção.
Bagaço da moenda,
lançaço, brasa e sal.
Melaço de mecônio,
olhos pintados a cal.
Logorréia escabrosa,
melopéia irritante,
monopólio lodoso,
promessa meliante.
(Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu - Mahatma Gandhi)
Aglaure Corrêa Martins
GIRAS[SOL]
Girassol sem giro certo,
Gira sol! Que eu espero.
Ser espero... Ser etéreo,
ser eterno do que vale?
Vale ouro... Vale tudo...
Vale verde...Vale pó,
vale tudo... Nada vale,
vale pouco...Vale só.
Girassol te quero perto,
Gira sol! No vale certo.
Ser esperto... Ser eterno
ser etéreo do que vale?
Vale pouco... Nada vale,
vale longe... Vale vago,
vale vida, vida trago,
vale verde, vale calmo.
Aglaure Corrêa Martins






















































